| “O projecto desenha uma torre que se pronuncia sobre a marginal da Baía, e apresenta-se como um volume puro de 22 pisos, pousado sobre um embasamento de 2 pisos que faz o contacto com o terreno, ao mesmo tempo que dá continuidade aos edifícios contíguos na frente da Praça do Ambiente. Enquanto no embasamento propomos um recobrimento a vidro (solução de vidro agrafado), adequado aos programas comerciais que se prevêem ocupar estes espaços, para o volume superior prevemos uma fachada ventilada, constituída por um recobrimento em painéis compactos de agregado de cimento e fibra, à cor antracite. Os vãos são dotados de caixilharia em alumínio anodizado à cor natural, com vidro duplo reflectante incolor (com um adequado coeficiente térmico). Todas as medidas e decisões tomadas no decurso deste projecto, para além de questões técnicas de funcionamento, têm como objectivo a introdução de níveis elevados de conforto nos espaços, adequados às realidades construtivas, urbanas e comerciais do mercado actual.
Talvez a mais diferenciadora característica do edifício seja a maneira como a sua imagem minimiza a diferença entre as tradicionais torres de escritórios e de habitação, congregando os dois usos tão díspares numa imagem una e indistinguível”.
“A lógica de vãos é criada a partir de uma manifestação de movimento na fachada, consequência das dinâmicas dos espaços interiores. Apresentam-se grandes rasgos corridos, desacertados piso a piso, permitindo diversas tipologias de uso para cada uma das situações e desconstruindo o volume de uma forma orgânica.
Este desenho das fachadas permite a integração total entre os pisos de serviços (mais baixos) e os pisos de habitação. As varandas surgem dissimuladas por entre as correntezas de vãos como zonas recuadas relativamente à fachada, podendo servir de extensão das salas ou como áreas técnicas, ocultando os equipamentos de climatização. A solução remete tanto para as esculturas minimalistas contemporâneas como para os desenhos tradicionais Africanos, fundindo os dois universos numa imagem própria e memorável.
A proposta procura criar uma linguagem arquitectónica que reflicta ao mesmo tempo a preocupação com a imagem de um edifício que vai marcar o skyline de Luanda, e a manifestação de uma habitabilidade contemporânea e adequada aos programas que se pretendem implantar e enraizar na capital.
Em suma, pretende-se o equilíbrio formal e funcional entre a utilização de materiais de cariz tecnológico e contemporâneo na construção do edificado e a flexibilização da solução relativamente ao funcionamento e uso por parte de quem o habita, com o objectivo de construir cidade de forma interessante e responsável.” |